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Quantos pedidos o INSS nega: os números oficiais de 2026, mês a mês e por estado

Os números oficiais de 2026, mês a mês e por estado, e o que veio da Justiça.

Imagem de Melina Velho de Aguiar Melina Velho de Aguiar, advogada, OAB/RS 78.844, em 02/11/2026
Quantos pedidos o INSS nega: a advogada Melina Velho de Aguiar, séria, diante de um quadro de barras

De janeiro a setembro de 2026, o INSS negou 6,9 milhões de pedidos. Veja os números mês a mês, por estado e o que veio da Justiça.

Dados até setembro de 2026.

De janeiro a setembro de 2026, o INSS negou 6.901.049 pedidos de benefício e registrou 6.656.652 concessões, aí incluídas as feitas por ordem da Justiça. A cada 100 decisões, cerca de 51 foram negativas. No mesmo período de 2025, foram 4.074.052 indeferidos (pedidos negados) e 5.845.787 concessões, ou cerca de 41 negativas a cada 100 decisões. Os indeferidos subiram 69,4%, e as concessões, 13,9%. O boletim não explica a causa da alta.

Teve um pedido negado? Veja o que olhar primeiro.

Os números são do Boletim Estatístico da Previdência Social, a publicação mensal do governo. O escritório somou os nove boletins de 2026, até o nº 09, com dados de setembro. A soma mês a mês confere com o subtotal do próprio boletim. O boletim de setembro também traz quanto o INSS paga em média, por benefício e por estado.

O que estes números medem

Eles contam pedidos decididos no mês, e não pessoas, por isso quem pede duas vezes aparece duas vezes. Um pedido negado num mês e concedido depois por ordem da Justiça entra uma vez em cada coluna. Um benefício concedido em setembro pode ter sido pedido meses antes.

Por isso, a conta "a cada 100 decisões" não é a sua chance de conseguir o benefício, que depende do benefício pedido e das provas do seu caso. O boletim também não informa os motivos dos indeferimentos.

Nem todo indeferido quer dizer que o INSS examinou o direito e concluiu que a pessoa não o tinha. O boletim define indeferido como o pedido que não preencheu os requisitos legais, mas o arquivo de dados abertos do INSS, que traz o motivo de cada pedido, mostra mais do que isso. Dos 882.589 indeferidos de agosto de 2026, 68.824 (7,8%) são de quem não compareceu à perícia ou à avaliação social, e 26.899 (3,0%) são de exigência não cumprida ou documento não apresentado. Outros 184.956 (21,0%) estão no arquivo sem motivo classificado.

Pedidos negados e concedidos mês a mês em 2026

De abril a setembro, os indeferimentos passaram das concessões em todos os meses.

Mês Concedidos Indeferidos
Janeiro 461.848 378.792
Fevereiro 596.526 555.922
Março 885.562 796.798
Abril 738.461 751.482
Maio 764.594 898.162
Junho 792.531 938.180
Julho 841.768 935.123
Agosto 844.389 882.589
Setembro 730.973 764.001
Total 6.656.652 6.901.049

Os benefícios que passam por perícia

O boletim separa em um grupo os benefícios que dependem de avaliação médica: auxílio-doença, aposentadoria por invalidez, auxílio-acidente e BPC da pessoa com deficiência. Ele não separa os indeferimentos de cada um deles.

Janeiro a setembro de 2026 Concedidos Indeferidos
Com avaliação médica 3.823.693 4.547.598
Demais benefícios 2.832.959 2.353.451

Nos benefícios com avaliação médica, foram cerca de 54 negativas a cada 100 decisões. Nos demais, cerca de 45. O primeiro grupo junta quatro benefícios, e essa conta também não é a sua chance. Se o seu auxílio foi negado, veja o que fazer com o auxílio-doença negado. Sobre os motivos, veja por que a perícia do INSS nega.

Pedidos negados por estado

O estado de cada linha é o que o INSS registra para a unidade que decidiu o pedido, que pode não ser aquele onde a pessoa mora. Nas concessões, o próprio boletim avisa, no quadro 9, que o estado é aquele onde o requerimento foi analisado. O quadro de indeferidos (quadro 23) não traz esse aviso, mas o arquivo de dados abertos também liga cada indeferido a uma unidade do INSS. Por isso, a proporção de um estado não é a chance de quem mora nele, e ela soma todos os benefícios.

Entre os estados, Alagoas, Acre e Piauí tiveram as maiores proporções de negativas, e Santa Catarina e Roraima, as menores. O quadro vai da maior para a menor.

Estado Indeferidos Concedidos Negativas a cada 100 decisões
Alagoas 142.737 70.948 66,8
Acre 30.881 16.684 64,9
Piauí 176.731 110.898 61,4
Maranhão 217.494 141.086 60,7
Ceará 387.957 258.339 60,0
Sergipe 82.904 60.560 57,8
Paraíba 168.734 125.251 57,4
Rio Grande do Norte 121.109 91.138 57,1
Pernambuco 300.184 231.518 56,5
Amazonas 102.168 79.782 56,2
Pará 201.439 158.886 55,9
Tocantins 53.729 42.662 55,7
Bahia 518.502 421.327 55,2
Goiás 188.317 163.938 53,5
Rondônia 54.109 47.258 53,4
Amapá 22.594 20.749 52,1
Mato Grosso 118.207 108.822 52,1
Rio de Janeiro 426.357 395.304 51,9
Mato Grosso do Sul 92.635 91.867 50,2
São Paulo 1.141.169 1.139.465 50,0
Paraná 326.122 345.193 48,6
Minas Gerais 630.316 676.583 48,2
Espírito Santo 100.950 109.241 48,0
Rio Grande do Sul 336.313 383.359 46,7
Roraima 15.880 18.351 46,4
Santa Catarina 242.187 296.063 45,0
Distrito Federal (ver a nota) 701.324 1.051.380 40,0
Brasil 6.901.049 6.656.652 50,9

Nota sobre o Distrito Federal: ele aparece com 701.324 indeferidos, dos quais 624.049 são de benefícios sem avaliação médica (26,5% do país nesse grupo), e com 1.051.380 concessões (15,8% do país). Os números ficam muito acima do tamanho da sua população. O boletim não detalha o motivo, mas o arquivo de dados abertos dá uma pista: em agosto de 2026, 59.025 dos 71.286 indeferidos do Distrito Federal estão numa só unidade, a "APS de Automatização de Processos". Por isso, o Distrito Federal fica fora da comparação entre os estados. Sem ele, o Brasil teria 52,5 negativas a cada 100 decisões.

Quantas concessões vieram da Justiça

De janeiro a setembro de 2026, o boletim classifica como judiciais 975.998 concessões, 14,7% do total. Essa proporção muda muito de um benefício para outro: no auxílio-doença previdenciário foi de 9,6%.

Benefício Concessões Classificadas como judiciais Parte das concessões que veio da Justiça (%)
Aposentadoria especial 10.809 10.373 96,0
Auxílio-acidente acidentário 43.971 34.968 79,5
Auxílio-acidente previdenciário 63.295 44.260 69,9
Auxílio-reclusão 5.892 3.004 51,0
Aposentadoria por invalidez previdenciária 206.249 95.187 46,2
Aposentadoria por invalidez acidentária 7.711 3.266 42,4
Aposentadoria por tempo de contribuição 164.919 58.228 35,3
Outras espécies, entre elas os benefícios assistenciais 886.860 190.592 21,5
Aposentadoria de professor 8.159 1.678 20,6
Aposentadoria por idade 819.983 115.441 14,1
Pensão por morte previdenciária 360.145 49.896 13,9
Auxílio-doença previdenciário 2.746.992 263.050 9,6
Salário-maternidade 1.120.340 100.638 9,0
Auxílio-doença acidentário 211.327 5.422 2,6

O 96,0 da aposentadoria especial não quer dizer que 96 de cada 100 ações foram ganhas. Este quadro conta só os benefícios concedidos, e por isso não diz quantas pessoas entraram na Justiça nem quantas ações foram perdidas. Uma concessão judicial de hoje também pode vir de um pedido feito anos atrás.

Nota sobre as duas linhas do auxílio-doença: o boletim tem uma terceira coluna, "outras decisões", que traz 71,8% das concessões do previdenciário e 97,2% das do acidentário. A lista dessa coluna inclui a concessão decorrente de ação judicial, sem dizer quantas são. A proporção do quadro é a publicada pelo boletim como "grau de judicialização", e a judicial pode ser maior que ela.

Tive o pedido negado. O que olho primeiro?

Leia o motivo na carta de indeferimento, no Meu INSS, porque é dele que depende o próximo passo. O recurso tem prazo de 30 dias. Em regra, ele conta do dia em que você foi avisado da decisão, a ciência (Decreto 3.048/1999, art. 305, § 1º, II). No auxílio-doença decidido só pela análise de documentos (Atestmed), conta da data da decisão (Portaria Conjunta MPS/INSS 13/2026, art. 9º), e no BPC negado, da data em que o resultado fica disponível (Portaria Conjunta MDS/INSS 34/2025, art. 16). Os caminhos estão em benefício negado pelo INSS, auxílio-doença negado e recurso administrativo no INSS.

Perguntas frequentes

O INSS nega mais do que concede? De janeiro a setembro de 2026, sim, por pouco: 6.901.049 indeferidos e 6.656.652 concessões. No mesmo período de 2025, foi o contrário: 4.074.052 indeferidos e 5.845.787 concessões.

Em que estado há mais pedidos negados? Em número, em São Paulo, com 1.141.169 indeferidos. Em proporção das decisões, em Alagoas, seguida do Acre. O estado é o que o INSS registra para a unidade que decidiu, e o Distrito Federal fica fora da comparação, porque o volume que ele registra não corresponde ao tamanho da sua população.

Por que 96% das concessões de aposentadoria especial vieram da Justiça? O boletim mostra o número, sem explicar a causa. De janeiro a setembro de 2026, foram 10.373 concessões classificadas como judiciais, de um total de 10.809.

Posso usar estes números? Sim, porque são públicos: cite o Boletim Estatístico da Previdência Social e, se usar as somas, esta página.

Fontes

  • Boletim Estatístico da Previdência Social, nº 01 a 09 de 2026 (Ministério da Previdência Social): quadro 24 (mês a mês, grupos e 2025), quadro 23 (indeferidos por estado), quadro 9-A (concessões por estado, coluna subtotal), quadro 12 (origem da decisão). Página dos boletins
  • INSS, dados abertos, benefícios indeferidos, agosto de 2026 (motivo e unidade de cada indeferimento). Página dos dados abertos
  • Decreto 3.048/1999, art. 305, § 1º, II.
  • Portaria Conjunta MPS/INSS 13/2026, art. 9º. Portaria Conjunta MDS/INSS 34/2025, art. 16.
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